Vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Fiocruz pode começar a ser distribuída em dezembro

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fechará acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para compra de lotes e transferência de tecnologia da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. O acordo foi anunciado no sábado (27/6) pelo Ministério da Saúde.
A vacina em produção pela Fiocruz está entre as mais promissoras entre as mais de 140 que estão sendo testadas pelo mundo. Se tudo correr dentro do previsto e a eficácia for comprovada, a vacina contra a Covid-19 poderá começar a ser distribuída em dezembro deste ano. O medicamento está sendo desenvolvida no laboratório de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, em parceria com a Universidade de Oxford.

O acordo com a biofarmacêutica prevê duas etapas de produção. A primeira consiste na produção de 30,4 milhões de doses antes do término dos ensaios clínicos, o que representaria 15% do quantitativo necessário para a população brasileira, ao custo de 127 milhões de dólares. Trata-se de uma encomenda tecnológica em que a instituição adquire o produto antes do término dos ensaios clínicos previstos, em função do movimento global de mobilização e para aquisição de vacinas. O investimento inclui não apenas os lotes de vacinas, mas também a transferência de tecnologia para que a produção possa ser completamente internalizada e nacional. 

No primeiro momento, a Fiocruz vai trabalhar no processo de finalização da vacina. Ou seja, ela vai receber a tecnologia e os insumos para produção das doses. Mas, a ideia é que a instituição passe a dominar todas as cadeias de produção no Brasil.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, defendeu a parceria da instituição com a Universidade de Oxford na tentativa de produzir vacinas contra o coronavírus. As vacinas estão sendo desenvolvidas pela instituição inglesa na Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz, no Rio. Trata-se de um investimento de R$ 693,4 milhões. Ela, no entanto, alertou para o fato de que ainda não há garantia de que a vacina será eficaz.
“Assumimos um risco de natureza econômica para ter a vacina no Brasil, um compromisso financeiro, esperando que o produto seja bem sucedido, mas claro que ele pode não se provar eficaz”, afirmou Nísia. “Há muitas pesquisas sem resposta sobre o coronavírus, e acredito que a escolha desta vacina foi muito bem pensada. Não somos o único país a tomar esta iniciativa. Outros também estão conciliando ensaios clínicos e produção de lotes sem ter certeza sobre o resultado final”, acrescentou.

Pelo acordo, serão produzidas 30,4 milhões de doses na Fiocruz. Elas só serão distribuídas e aplicadas se ficar comprovada a eficácia da imunização contra a Covid-19.
Uma vez aprovada a vacina, a expectativa da AstraZeneca é que 15,2 milhões de doses sejam distribuídas em dezembro deste ano. As outras 15,2 milhões seriam distribuídas em janeiro de 2021. A prioridade inicial serão os grupos de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas, além dos profissionais da Saúde.

Ao término dos ensaios clínicos e com a eficácia da vacina comprovada, depois dessas primeiras duas entregas, o acordo prevê uma segunda etapa, com a produção de mais 70 milhões de doses, que poderão ser produzidas na Fiocruz para distribuição a partir do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao todo, o governo federal deve gastar R$ 1,5 bilhão com a produção das vacinas pela Fiocruz.

A presidente da instituição confirmou que a Fiocruz terá capacidade para produzir vacinas para toda a população. “Os insumos farmacêuticos virão de Oxford, mas a produção da vacina será finalizada aqui. Isso requer instalações adequadas e experiência, e a Fiocruz já fabrica vacinas há 120 anos. Podemos contar com o apoio dos pesquisadores de Oxford até chegar a 100 milhões de doses. Quando o processo de transferência de tecnologia for concluído, teremos autonomia para fabricar, a partir do ano que vem, 40 milhões de doses por mês”, disse.

Fonte: Portal Fiocruz e G1

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