Prefeitura do Rio recua após diminuir mortes por covid-19 com mudança de metodologia

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Após uma semana de “apagão de dados de óbitos” e “sumiço” de mais de mil mortes por covid-19 das estatísticas, a Prefeitura do Rio voltou a divulgar as informações na noite de quarta-feira (27/5).
A mudança na contagem gerou divergência em relação aos números do governo do estado, suspeitas de subnotificação e críticas de especialistas. Profissionais de saúde acusaram a administração de Marcelo Crivella de falsear a realidade. No dia 18 de maio, o total de óbitos simplesmente deixou de ser divulgado pela prefeitura, retornando na terça-feira (26/5) com números mais baixos do que os estaduais, por causa da nova metodologia.

Na noite de ontem (27/5), o painel Rio Covid, da Secretaria Municipal de Saúde, contabilizava 1.855 mortes. Depois das críticas, a Prefeitura do Rio resolveu divulgar dois números diferentes de mortes por Covid-19: o dos hospitais e o dos cemitérios. A diferença entre eles era de quase 1,3 mil casos. A plataforma também voltou a divulgar as mortes por bairro. A mudança de metodologia criou um abismo no total de mortes: enquanto o Painel Rio Covid-19 exibia 1.855 óbitos, o estado divulgava 3.135 vítimas fatais — ou 1.280 casos a mais.

A diferença se explica porque a prefeitura passou a contabilizar óbitos apenas nos cemitérios de casos confirmados de coronavírus. A mudança metodológica ocorreu pouco mais de uma semana após encontro entre Jair Bolsonaro e o prefeito Marcelo Crivella, em Brasília.
Já o governo do estado faz os registros com base em dados dos cartórios, levando em consideração também mortes suspeitas, como por síndrome respiratória aguda grave. Os dados do governo estadual servem de base para o Ministério da Saúde.

A mudança na contagem das mortes havia sido anunciada pela prefeitura na segunda-feira (25/5). Na ocasião, a secretaria de Saúde informou que o painel online passaria a exibir somente os números de mortes contabilizados a partir dos dados de enterros realizados na cidade. Somente entraria na conta os casos em que o atestado de óbito apontasse a Covid-19 como causa da morte. A medida foi duramente criticada por especialistas, que apontaram uma tentativa da prefeitura de maquiar os dados da pandemia na cidade. O próprio Ministério da Saúde, assim como em diversos outros países, contabiliza também as mortes suspeitas.

Agora, apesar de manter a nova metodologia – que afere somente mortes em cemitérios – a gestão de Marcelo Crivella voltou a divulgar levantamento de óbitos atribuído ao Ministério da Saúde, com base em dados do governo estadual. Os dados dos cartórios voltaram a ser mostrados na plataforma da prefeitura, que agora registra dois números diferentes.

Fonte: Uol

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