PF faz buscas contra Witzel em investigação sobre hospitais de campanha

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O Rio de Janeiro voltou a ser palco de mais uma operação policial na manhã desta terça-feira (26/5). A Polícia Federal (PF) iniciou a Operação Placebo, sobre suspeitas de desvios na Saúde do estado durante a pandemia de coronavírus. Entre os alvos está o atual governador, Wilson Witzel, investigado com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por participar de suposto esquema de desvios de recursos destinados à Secretária da Saúde, mais especificamente na contratação de uma Organização Social (OS) para a instalação de hospitais de campanha que receberiam pacientes com covid-19.

A investigação aberta em 13 de maio, feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em conjunto com a promotoria estadual, mira um contrato emergencial assinado entre o Governo Witzel e a OS Iabas, no valor de 835 milhões de reais, para construir e gerir sete hospitais de campanha. O Ministério Público Federal (MPF) afirma, no pedido de busca e apreensão da Operação Placebo, que há “provável envolvimento da cúpula do Poder Executivo fluminense” em supostos desvios na área da saúde.

A ação foi autorizada pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ, e teve 12 mandados de busca e apreensão — entre eles o Palácio da Laranjeiras, usado como residência oficial do governador, o Palácio da Guanabara, de onde o Witzel despacha, a antiga residência do governador no bairro do Grajaú e o escritório de advocacia de sua esposa, Helena Witzel.

Witzel, que teve seu celular e computador apreendidos à pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), nega qualquer envolvimento no esquema e acusa o presidente Bolsonaro de perseguição política. Há indícios de que a Operação Placebo já era conhecida no Palácio do Planalto, em Brasília.

A operação faz parte de uma investigação que, no início do mês, prendeu o ex-subsecretário da Saúde do Rio, Gabriell Neves, e mais três pessoas por suspeita de obter vantagens ao realizar uma compra emergencial de respiradores. O caso revelou suspeitas de fraude em contratos sem licitação na área da saúde que somam 1 bilhão de reais. O maior deles, de 835 milhões, com a OS Iabas. O juiz Marcelo Bretas, coordenador da Lava Jato fluminense, autorizou a prisão no dia 14 de maio do empresário Mário Peixoto, que comanda o grupo. Em meio às denúncias de fraude, Witzel demitiu dias depois o então secretário da Saúde Edmar Santos.

Os elementos colhidos pelos investigadores federais e estaduais foram então encaminhados à PGR, e as apurações passaram a atingir diretamente o governador. Um contrato de 540 mil reais, achado no escritório de advocacia da primeira-dama do Rio, Helena Witzel, com a empresa investigada, seria um dos indícios de que o governador teria se beneficiado do esquema. O valor deveria ser pago em 36 parcelas de 15 mil reais.

Fonte: El País

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