Museu Nacional: o que a ciência perde com o incêndio

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O incêndio no Museu Nacional deixou em ruínas não apenas um conjunto arquitetônico declarado patrimônio nacional, mas também destruiu milhões de peças e documentos históricos de seu acervo. Administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o museu tinha um dos mais ricos acervos de antropologia e história natural do mundo, com mais de 20 milhões de itens. Muitos deles eram exemplares únicos, como fósseis humanos e de dinossauros, múmias e utensílios de civilizações antigas.

Como parte da universidade, a instituição abrigava a produção acadêmica de dezenas de pesquisadores nas áreas de botânica, zoologia, linguística, arqueologia, antropologia social e geologia. Além de fósseis e itens pré-históricos, registros de culturas indígenas extintas no país e coleções inteiras de animais brasileiros podem ter se perdido para sempre. Isto afeta diretamente a produção científica do país, pois muitas pesquisas dependiam da consulta ao acervo do Museu, destruído pelo fogo.

A área de Antropologia Social, por exemplo, foi uma das mais afetadas, perdendo cadernos de campo, entrevistas, fotografias, trabalhos desde os anos 1960. São pesquisas que estudavam populações indígenas, camponeses e populações migrantes. O setor de linguística perdeu registros de línguas indígenas que não têm mais falantes vivos. Ainda não se sabe a extensão dos danos causados pelo incêndio, mas, no arquivos de Linguística, havia gravações de cantos indígenas feitas no final dos anos 1950, além dos únicos registros da localização de todas as etnias brasileiras feitos antes dessa década.

A direção do Museu Nacional disse em nota que ainda não poder confirmar o que pode ser salvo: “Sabemos que os danos foram imensos, mas ainda consideramos cedo para qualquer balanço ou diagnóstico. É importante lembrar que o Corpo de Bombeiros ainda atua no prédio e a Polícia Federal faz a perícia. Apesar da gravidade do incêndio, a esperança é enorme de encontrarmos, e recuperarmos, peças importantes para a história do Brasil e do mundo”. De acordo com a nota, tanto a direção do museu, como seus professores, pesquisadores e funcionários “não têm medido, e não medirão, esforços para manter a instituição viva, atuante e funcionando como um dos mais importantes centros de ciência do mundo”.

Fonte: BBC

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