Ministério da Saúde libera cloroquina até em casos leves de covid-19, mesmo sem eficácia comprovada

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O Ministério da Saúde, pasta ainda sem um ministro efetivo, divulgou na quarta-feira (20/5) o protocolo que libera no SUS o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina até para casos leves de covid-19. Até então, o protocolo previa os medicamentos apenas para casos graves. Não há comprovação científica de que a cloroquina é capaz de curar a covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no remédio e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda o seu uso.

A mudança no protocolo era um desejo do presidente Jair Bolsonaro, defensor da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. O uso da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Em menos de um mês, os dois deixaram o governo. O atual ministro interino é um militar, o General Eduardo Pazuello, sem formação em áreas médicas. No novo protocolo divulgado pelo ministério, contudo, não aparece assinatura de nenhuma autoridade.
O texto mantém a necessidade de o paciente autorizar o uso da medicação e de o médico decidir sobre a aplicar ou não o remédio. O termo de consentimento, que deve ser assinado pelo paciente, ressalta que “não existe garantia de resultados positivos” que “não há estudos demonstrando benefícios clínicos”. O documento afirma ainda que o paciente deve saber que a cloroquina pode causar efeitos colaterais que podem levar à “disfunção grave de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até ao óbito”.

Produção de cloroquina pelo Exército aumenta 80 vezes

O Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx) turbinou em 80 vezes sua capacidade de fabricação da cloroquina, mesmo antes da conclusão sobre a eficácia e os riscos do uso da substância no tratamento de infectados pelo coronavírus. Do início da pandemia, no final de fevereiro, até o dia 14/4, a instituição, que produz a droga desde 2000 para o tratamento da malária, já produziu mais de 1,2 milhão de comprimidos, todos a pedido do Ministério da Saúde. A média até então era de 250.000 comprimidos a cada dois anos.

OMS reafirma ineficácia da cloroquina após Brasil lançar protocolo

O diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou ainda na quarta-feira (20/5) que “nesse momento a cloroquina e a hidroxicloroquina não foram identificadas como eficazes para o tratamento da covid-19”. A resposta veio quando ele foi questionado sobre o que pensava a respeito da mudança no protocolo de uso dos respectivos medicamentos no Brasil.
“Todas as nações, particularmente aquelas com autoridades reguladoras, estão em posição de aconselhar seus cidadãos sobre o uso de qualquer droga. Entretanto, sobre a hidroxicloroquina e a cloroquina, que já são licenciadas para muitas doenças, eu diria que, até esse estágio, nem a cloroquina nem a hidroxicloroquina têm sido efetivas no tratamento da Covid-19 ou nas profilaxias contra a infecção pela doença. Na verdade, é o oposto”, disse Ryan, chamando a atenção para os efeitos colaterais:
“Muitos avisos foram emitidos por muitas autoridades sobre os efeitos colaterais potenciais das drogas. E muitos países limitaram o uso dela para ensaios clínicos, sob supervisão de médicos em hospitais — especificamente para a Covid-19, por causa de um número de efeitos colaterais potenciais que ocorreram e podem ocorrer. Dito isso, novamente, cabe a cada autoridade nacional avaliar as evidências a favor e contra essa droga”, completou.

Fontes: G1 e El País

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