Mais de 120 linhas de ônibus do Rio deixaram de circular ou tiveram frota reduzida

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Um levantamento feito pelo RJTV, da Rede Globo, mostrou que mais de 120 linhas de ônibus desapareceram das ruas ou reduziram sua frota nos últimos meses. O GLOBO também fez uma consulta aos leitores, pelas redes sociais, e confirmou as mesmas reclamações, acrescentando à lista novos itinerários. Ao todo, 128 linhas são citadas pelos passageiros. O problema que afeta todas as regiões da cidade é mais grave na Zona Oeste, onde pelo menos 41 linhas estão desaparecidas ou circulando com frota reduzida, segundo as queixas.
Veja a seguir as linhas de coletivos que sumiram ou tiveram redução de frota no Rio, de acordo com passageiros:
10, 17, 217, 222, 226, 232, 238, 254, 265, 275, 277, 311, 332, 342, 346, 349, 358, 362, 363, 366, 367, 369, 371, 389, 390, 391, 392, 395, 397, 398, 409, 410, 413, 416, 428P, 433, 434, 439, 462, 464, 497, 517, 580, 581, 582, 601, 622, 625, 635, 638, 650, 651, 652, 653, 673, 676,679, 685, 687, 688, 693, 709, 711, 727, 731, 738, 739, 741, 742, 743, 744, 750, 773, 778, 781, 782, 786, 789, 813, 817, 819, 825, 830, 832, 833, 836, 837, 839, 841, 849, 850, 852, 853, 854, 855, 867, 868, 869,870, 871, 872, 873, 874, 875, 877, 880, 881, 882, 883, 886, 887, 888, 891, 893, 895, 898, 901, 915, 922, 924, 925, 928, 934, 935, 942, 952, Troncal 2 e Troncal 9.

A Secretaria municipal de Transportes reconheceu que há linhas que deixaram de circular à revelia da prefeitura. Mas, disse que está atenta a essa irregularidade, aplicando o instrumento previsto no contrato e tomando as medidas cabíveis.
“A prática, além de ser inaceitável e desrespeitosa, configura infração gravíssima, com base no Código Disciplinar, e tem previsão de multa no valor de R$ 1.846”, diz a nota. Segundo a SMTR, desde o início da pandemia foram aplicadas 4.092 multas aos quatro consórcios e ao BRT. Os consórcios também foram procurados, mas não responderam.

O especialista em transporte e professor da Uerj Alexandre Rojas diz que os problemas relatados pelos passageiros são o resultado de um sistema falido. Ele acredita que a tática de retirar as linhas das ruas é a maneira encontrada pelos consórcios para reduzir os custos, confiando na falta de fiscalização:
“Essas empresas estão mal das pernas por conta do aumento de custos, antes mesmo da quarentena. Tem também o vandalismo e a evasão de receitas e uma série de outros problemas que envolvem custos. Então, se eu tenho uma empresa que não me remunera e tenho que tirar dinheiro para manter o serviço, quanto menos oferta eu tiver, menos prejuízo eu tenho. A lógica que se vê é essa. E a prefeitura faz o pacto da incompetência. Como não pode dar reajuste (de tarifa), não fiscaliza. E as empresas reduzem as linhas e seu prejuízo. Mas quem paga é o usuário, que não tem nada a ver com essa conta”, disse.

“Não adianta querer obrigar o empresário a ter prejuízo”, diz Crivella

Numa solenidade no canteiro de obras do BRT Transbrasil, na manhã da quinta-feira (6/8), o prefeito Marcelo Crivella, reconheceu o problema, mas preferiu culpar a pandemia. Segundo Crivella, como houve queda de demanda, as empresas retiraram os ônibus das ruas, “para o prejuízo não ser maior”. Mas, disse estar confiante de que com a retomada das atividades os usuários vão voltar, assim como as linhas. Caso isso não aconteça, ameaça com nova licitação. O prefeito disse ainda que o Rio tem a passagem mais barata do Brasil e que “não adianta querer obrigar o empresário a ter prejuízo”.

Fonte: O Globo

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