Longe de estarem prontos, hospitais de campanha do Rio já apresentam sinais de deterioração

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No centro de uma investigação sobre desvios de recursos na Saúde do Rio, sete hospitais de campanha — cinco deles ainda em construção —, foram reprovados em vistorias da Comissão de Fiscalização de Gastos no Combate à Covid-19 da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Na quarta-feira (24/6), quando o ex-secretário de Saúde Edmar Santos faltou a depoimento marcado na Casa, a Alerj divulgou um relatório criticando a falta de transparência do governo estadual sobre a aplicação de R$ 256 milhões já pagos à Organização Social Iabas, responsável pelas obras e depois afastada dos trabalhos. O documento apontou indícios de que os hospitais que ainda não foram entregues estão muito longe de ficarem prontos — alguns já apresentam sinais de deterioração mesmo antes de terem aberto as portas.

Os problemas acontecem no momento em que o estado atinge 103,5 mil casos do novo coronavírus, com 9.295 mortes. Na quarta-feira (24/6), houve mais 2.624 infectados e 142 óbitos em 24 horas. Apesar de os números de casos preocuparem, a unidade de Duque de Caxias, por exemplo, cuja inauguração já foi adiada três vezes, segue fechada. No dia da visita da Comissão, em 1º de junho, só estava erguida a lona. Equipamentos estavam amontoados na tenda principal, embaixo de goteiras.

A situação não é muito diferente do hospital de campanha de Nova Iguaçu, cuja inauguração foi adiada três vezes. Os deputados estiveram lá em 29 de maio, uma das datas anunciadas como de abertura, mas encontraram um cenário incompatível a uma unidade de saúde. “Havia um verdadeiro canteiro de obras no entorno das tendas. Retroescavadeiras cavavam a rede de esgoto e auxiliavam o preparo da pavimentação do local. Toda a parte de saneamento estava incompleta”, diz um trecho do relatório. Até hoje, o local está fechado.

O hospital de Nova Friburgo, que teve três datas para inauguração anunciadas, foi vistoriado no dia 11 de junho e apresentou goteiras até no CTI. Na visita, o grupo constatou que o local está com a parte da estrutura adiantada, inclusive com sistema de esgoto e de rede de gás. Mas “não possui leitos nem equipamentos, nem climatização interna, o que gera goteiras dentro da unidade, inclusive na área do CTI”. Os responsáveis pela obra, segundo o relatório, garantiram que a climatização vai amenizar o problema.

O hospital de Casimiro de Abreu estava, em 17 de junho, “abandonado” e só tinha “divisórias, lonas e piso”. As goteiras eram tantas que deixavam poças na tenda principal. No mesmo dia, a unidade de Campos de Goytacazes foi visitada. O quadro era de obra abandonada. “Logo na entrada do terreno, havia materiais de piso expostos ao tempo”, diz o relatório.

Mesmo nos dois únicos hospitais de campanha que estão em funcionamento, o do Maracanã e o de São Gonçalo, a vistoria listou falhas. A unidade do Maracanã recebia menos pacientes do que podia. Na unidade de São Gonçalo, inspecionada no fim do mês passado, foram constatadas “inúmeras obras sendo realizadas no local, como a instalação da rede de esgoto”. Aberta com atraso em 19 de junho, a unidade estava destinada a receber 200 pacientes, sendo 80 deles na UTI, mas só tem dez internados, pois só há dez respiradores no hospital.

O relatório, aprovado ontem por unanimidade, dá 48 horas para que o governo estadual informe as despesas já realizadas no combate ao vírus.
O documento foi encaminhado ao Ministério Público e à Defensoria Pública do Estado. A Secretaria estadual de Saúde informa em nota que há 17 leitos ocupados no hospital de São Gonçalo, e 59 no do Maracanã.

Fonte: Extra

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