Hospitais de campanha atrasados podem não ser concluídos, diz secretário de Saúde do RJ

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O novo secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Fernando Ferry, disse, na quinta-feira (21/5), que alguns hospitais de campanha que estão atrasados podem não ser entregues. Segundo o secretário, o atraso para o término das obras e os números positivos da pandemia podem tornar as unidades desnecessárias.
“A gente está vendo que, gradativamente, está diminuindo o número de casos. Isso faz parte da epidemia. Se a gente perceber que isso vai continuar, a gente vai deixar de construir as unidades e o valor será devolvido para o erário”, disse Ferry.

Atraso nas obras

O calendário de inauguração dos hospitais de campanha foi modificado pela quarta vez na quinta-feira (21/5). Já são 21 dias de atraso para a entrega das unidades que deveriam ajudar a salvar pacientes com Covid-19. Todos os hospitais deveriam estar funcionando desde 30 de abril. Das sete unidades previstas, apenas o Hospital do Maracanã começou a funcionar, mesmo assim de forma parcial. Dos 1,3 mil leitos que eram previstos para o tratamento da Covid-19 no estado, apenas 200 estavam abertos até o começo da manhã da quinta-feira (21/5).

O novo cronograma de inaugurações agora vai até o dia 18 de junho, segundo a Organização Social Iabas, contratada pelo governo para gerir as unidades. Veja abaixo as datas das próximas inaugurações:
São Gonçalo – 27 de maio
Nova Iguaçu – 29 maio
Duque de Caxias – 1º de junho
Nova Friburgo – 7 de junho
Campos dos Goytacazes – 12 de junho
Casimiro de Abreu – 18 de junho

Fila de espera por leitos e número de casos

O atraso nas obras dos hospitais de campanha reflete diretamente no número de mortes provocadas pela doença. Ao todo, o estado do Rio já havia contabilizado 3.412 mortes e 32 mil casos da doença, segundo o último balanço, divulgado no fim da tarde de quinta (21/5).
O estado tem ainda 578 pessoas na fila de espera por um leito. São 340 pacientes aguardando por um leito de UTI e 238 esperando uma vaga de enfermaria.

Denúncia no Maracanã

Único hospital de campanha aberto pelo estado, a unidade do Maracanã é gerida pela Iabas. O espaço inaugurado no dia 9/5 ainda funciona de forma parcial.
Segundo um funcionário que não quis se identificar, pacientes estão morrendo por falta de medicamentos no hospital do Maracanã.
“Sabíamos que seria difícil pelo número de pacientes. Sabíamos que passaríamos por dificuldades, mas o que está acontecendo é irresponsabilidade, displicência, omissão e falta de gerenciamento. O Maracanã tá virando matadouro”, comentou.
Para os profissionais que trabalham na unidade da Zona Norte, o sentimento é de impotência.
“Eu fico triste pelas vidas que lá estão porque podem ser vidas abatidas por falta de profissionalismo, por falta de experiência, por falta de materiais adequados. São pais de alguém, mãe de alguém e filho de alguém. Isso é muito triste. É escandaloso ver e não poder fazer nada”, disse o profissional da saúde.

Falta de medicamento

A Iabas e o secretário de saúde do estado negaram a denúncia que apontou falta de medicamentos no hospital do Maracanã. Fernando Ferry disse que esteve no depósito da unidade e, segundo ele, está abastecido.

O secretário disse ainda que os leitos que faltam ser entregues para o funcionamento pleno do Hospital de Campanha do Maracanã serão liberados na sexta-feira (22/5).

Fonte: G1

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