Crivella anuncia retorno das escolas particulares, mas pesquisadores dizem que é prematuro

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Na segunda-feira (20/7), após reunião com representantes de escolas particulares, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciou que vai autorizar o retorno das aulas presenciais nas instituições privadas de ensino. Segundo Crivella, as escolas particulares do município podem voltar a funcionar, de forma voluntária, recebendo alunos presencialmente a partir do próximo dia 3 de agosto. 

De acordo com a prefeitura, durante o encontro, representantes da Associação de Creches e Escolas Particulares (Acep) e da Associação de Escolas Particulares (Aspep-RJ) manifestaram a intenção de retomar as aulas, mas respeitando a vontade de professores, funcionários e pais dos alunos, sob as regras definidas pela Vigilância Sanitária no mês passado.

Crivella concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (21/7) em que detalha o aval da prefeitura para a reabertura de escolas particulares a partir de 3 de agosto. Segundo Crivella, o retorno nas escolas particulares servirá de teste para a rede do município. Segundo o prefeito, o retorno é facultativo e deve ser feito seguindo todas as regras da Vigilância Sanitária.
De acordo com a subsecretária de Vigilância Sanitária, Márcia Rolim, o retorno gradual será com 4º, 5º, 8º e 9º anos, pois estas teriam sido as séries mais atingidas pelo estudo à distância, de acordo com a prefeitura.

Já as aulas na rede pública de ensino ainda não têm data para voltar. As escolas municipais estão com atividades suspensas até o dia 3 de agosto, mas a prefeitura informou que a data de volta às aulas do ensino público ainda não foi definida. A Prefeitura do Rio admite inclusive a possibilidade de parte dos 650 mil alunos da rede municipal só retornar às escolas em 2021. 

Pesquisadores são contra volta apressada às aulas

No mesmo dia em que os representantes das escolas particulares se reuniram com Crivella, pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgaram um documento, apontando como sendo prematura uma autorização de retorno às aulas presenciais. O documento relembra outros países, como Espanha, França e Holanda onde escolas precisaram ser fechadas após a reabertura, e traça um panorama onde a situação do município do Rio ainda é considerada grave. No estado, a taxa de contágio por pessoa aparece em 1,29 — o ideal é estar abaixo de 0,5.

“Os dados do Brasil parecem indicar uma pandemia ainda fora do controle e, mesmo dentro do município do Rio onde os dados apresentam queda desde maio de 2020, se compararmos com outros países, parece prematuro pensar em uma reabertura neste momento. Cabe lembrar que os dados confirmados no Brasil são baseados em gravidade porque a maior parte da testagem é feita nos casos graves, diferente de países onde há uma maior taxa de testagem”, aponta o relatório.

Ainda de acordo com o texto, o município do Rio de Janeiro precisa garantir que as escolas públicas e privadas apresentem seus planos específicos para abertura e a construção de diretrizes e protocolos rígidos para monitoramento e controle de casos, atenção redobrada para os alunos especiais e política de abordagem psicossocial e saúde mental.

Fonte: G1 e Brasil de Fato

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